Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

Poesia tradicional portuguesa ou uma coisa há muito prometida

(Tinha parte destas quadras na cabeça, eles já não se lembravam e tinha ficado de procurar. Descubro versões muito deturpadas do que conheço, o que é natural nestas quadras da tradição oral portuguesa. Escolhi pois a versão que me pareceu mais próxima ao que eu conhecia. Seja como for, servem o propósito, eles riram, adoraram e, receio, vou ter que imprimir para amanhã circular por escolas... depois eu é que fico com fama de pai... enfim, cada um sabe de si :)

 

O CUME

No cume daquela serra
Plantei uma roseira
A rosa no cume cresce
A rosa no cume cheira

Quando cai a chuva grossa
A água o cume desce
O orvalho no cume brilha
O mato no cume cresce

Mas logo que a chuva cessa
Ao cume volta a alegria
Pois volta a brilhar depressa
O sol que no cume ardia

E quando chega o Verão
E tudo no cume seca
O vento o cume limpa
E o cume fica careca
 
Ao subir a linda serra
Vê-se o cume aparecendo
Mas começando a descer
O cume se vai escondendo

Quando cai a chuva fria
Salpicos no cume caiem
Abelhas no cume picam
Lagartos do cume saem

E à hora crepuscular
Tudo no cume escurece
Pirilampos no Cume brilham
E a lua no cume aparece

E quando vem o Inverno
A neve no cume cai
O cume fica tapado
E ninguém ao cume vai

Mas a tristeza se acaba
E de novo vem o Verão
O gelo do cume derrete
E todos ao cume vão

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publicado por joao moreira de sá às 20:21
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9 comentários:
De Marcos Jacoby a 24 de Junho de 2016 às 19:49
Muito semelhante ao poema de Laurindo José da Silva Rabelo, patrono na Academia Brasileira de Letras, intitulado "As Rosas do Cume", que se encontra na obra de TINHORÃO , José Ramos. História Social da Música Popular Brasileira. São Paulo: Editora 34, 1998. p. 144.
Laurindo José da Silva Rabelo (Rio de Janeiro, 8 de julho de 1826 — Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1864) foi um médico, professor e poeta romântico brasileiro, patrono na Academia Brasileira de Letras.
De Robério a 16 de Setembro de 2020 às 23:47
Todo mundo quer ser o autor. Mas só há um, o Laurindo. Brasileiro do Rio de Janeiro. O resto, não, inclusive o Falcão, meu conterrâneo.

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Arcebispo de Cantuaria Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 40 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47). Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever. jmoreiradesa@gmail.com

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Podia ser (mais) culto, ler e reler os clássicos da literatura, devorar ensaios, ler diariamente os jornais nacionais e alguns estrangeiros, assinar as revistas de referência mas diversas áreas do saber. Podia, e gostava, mas era preciso que estivessem reunidas duas condições, ter dinheiro para tal e acima de tudo, não ter filhos de tenras idades. Mas enquanto cada hora dedicada a ler a opinião dos cultos deste mundo sobre as suas (poucas) graças e (muitas) desgraças - do mundo e às vezes dos próprios - representar uma hora a menos de brincadeira, receio que vou continuar a optar por ser culto lá mais para o fim da vida, se lá chegar.






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