Sábado, 13 de Outubro de 2007

Este talvez se safe

 
- O que é isto, A.?
 
- É dinheiro.
 
- Dinheiro? Isto parecem sementes.
 
- Nós chamamos-lhes piquinhos.
 
- Ah! E piquinhos é dinheiro? Para que?
 
- Isso foi o que eu ganhei hoje.
 
- Ganhaste?!
 
- Sim.
 
- Ganhaste como, onde?
 
- Na minha loja.
 
- Na tua loja?! E posso saber onde é a tua loja?
 
- Na minha secretaria.
 
- E o que é que tu vendes na tua loja?
 
- Eu não, nós.
 
- Nós quem?
 
- Eu e as minhas empregadas.
 
- Ah isso mete empregadas e tudo?
 
- Sim, contratei-as.
 
- Quem?
 
- A M., a F. e a C.
 
- Logo três. Para que é que precisas de tanta gente? O que é que vocês vendem?
 
- Pedras pintadas e fazemos tatuagens, como esta.
 
- E a quem é que vendem isso?
 
- Aos outros todos.
 
- Da tua sala?
 
- Agora também já de outras. Não fazemos muito caro por isso toda a gente quer.
 
- Quanto é que custa?
 
- As tatuagens 3 picos, as pedras 1.
 
- E o dinheiro é para quem, é a dividir pelos quatro?
 
- É. até devia ser mais para mim mas eu dívido igual pelos quatro porque assim elas gostam de trabalhar na minha loja.
 
 
Felizmente a boa disposição que esta conversa me causou refreou a minha tentação de sugerir uma troca de piquinhos por cêntimos. Isso e lembrar-me que naquela idade ainda nem os têm.
 
publicado por joao moreira de sá às 11:35
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1 comentário:
De Diva a 16 de Outubro de 2007 às 00:19
Deliciaram-me estas frases:
“Não fazemos muito caro por isso toda a gente quer.”
“É. até devia ser mais para mim mas eu dívido igual pelos quatro porque assim elas gostam de trabalhar na minha loja.”

Ainda dizem que não se nasce ensinado??? Hehehe

Está muito giro e engraçado o blog. Voltarei!

Bjs

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Arcebispo de Cantuaria Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 40 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47). Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever. jmoreiradesa@gmail.com

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Podia ser (mais) culto, ler e reler os clássicos da literatura, devorar ensaios, ler diariamente os jornais nacionais e alguns estrangeiros, assinar as revistas de referência mas diversas áreas do saber. Podia, e gostava, mas era preciso que estivessem reunidas duas condições, ter dinheiro para tal e acima de tudo, não ter filhos de tenras idades. Mas enquanto cada hora dedicada a ler a opinião dos cultos deste mundo sobre as suas (poucas) graças e (muitas) desgraças - do mundo e às vezes dos próprios - representar uma hora a menos de brincadeira, receio que vou continuar a optar por ser culto lá mais para o fim da vida, se lá chegar.






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