Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Guardar as coisas


Escrevi isto, uma nota, um pensamento, uma partilha, nem conselho é, num email a um amigo que vai ser pai.
Decidi publicar aqui, sem nomes, como sempre.

Eu sempre deixei a casa tal como era, enquanto eles cresciam. Nunca pus protectores de cantos, deram as suas cabeçadas, até que aprenderam a não dar. Nunca partiram a cabeça. Não escondi comandos, cd's, dvd's, ensinei a não mexer onde não era para mexer, a usar quando capazes e tirando dois dvd's  enfiados na mesma ranhura e respectiva reparação não recordo estragos, perdas ou danos de maior.
Coleção de motos e de aviões? O que resta está algures num caixote. Os aviões nunca mais os vi desde que mudámos de casa. As motos ainda tem algumas no quarto dele. Ainda no outro dia dei um pontapé no Valentino Rossi (ena! o dicionário da nokia conhece-O). E não é que não sinto pena nenhuma? eu que ligava tanto aquilo. Gastei tanto dinheiro, sobretudo naquelas réplicas de aviões, que bela colecção que eu tinha. 
E lembro quase vago as prateleiras onde estavam e tão nitidamente o A. a brincar com tudo aquilo. A espetar asas na testa e mais uma nodoa negra. E um choro e um riso.
Até a minha colecção de instrumentos de percussão sofreu alguns revézes. Ceramicas e barros dão-se mal com crianças. Mas as crianças dão-se bem com os tambores das ditas. Eu perdi esses tambores eles ganharam sentido de ritmo.
Se eu fosse a ti não me preocupava muito. Com as tuas, vossas coisas, porque o mundo vai inverter-se. O que agora te é importante vai ser tão irrelevante que nem imaginas. E por ele, que merece que a casa a que vem pela de facto a casa dos pais a não um cenário feito para ele a fingir que é o lar onde os pais viviam antes de ele nascer. É isto que fazem às crianças. E se vires bem, isto não é justo para quem nasce, nascer já vítima dos nossos medos.
Ah, pelo sim pelo não, pelo menos as tomadas tapei com umas coisinhas muito jeitosas que há que só saem com uma chavinha também de plástico que por muitas réplicas que traga no dia em que por fim quisermos libertar aquela tomada da sua mortalha e devolver-lhe o uso eléctrico não vamos encontrar nenhuma (sai bem com uma chave de parafusos por fora, com cuidado para não riscar a parede que elas ralham logo e para não tocar na tomada propriamente dita senão elas ficam sem com quem ralhar, ficas já com a informação para memória futura).

Curiosamente cito Mika, relax, take it easy. É o segredo. E o mais difícil de conseguir. É como na escrita, keep it simple.

Enfim, pensamentos de um pai.
 
publicado por joao moreira de sá às 09:42
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4 comentários:
De Pepe chechu a 27 de Abril de 2009 às 13:35
Obrigado pelas dicas..... Tb vou ser pai!
De raquel a 29 de Abril de 2009 às 22:46
Estando totalmente de acordo com o que escreveu, eu, mãe de dois filhos, aconselharia só a ter muito cuidado com as janelas, se forem altas, e também com medicamentos e detergentes.
De jonasnuts a 9 de Maio de 2009 às 11:14
Eu estou no meio.

Coloquei trancas nas portas dos armários dos detergentes, na tampa da sanita e protegi as esquinas. Mas não mudei nada de sítio. Comandos e dvds e cds e coiso e tal, ficou tudo onde estava, ensinei a não mexer.

E há uma dica porreira, que tem a ver com os barulhos. Aquela coisa de falar baixinho e de não fazer barulho quandos os meninos estão a dormir é mau. Seja quando estão a dormir à tarde seja quando estão a dormir à noite, fazer os barulhos do costume, senão ficam umas florzinhas de estufa que acordam à mínima brisa lá de fora :)

(já tiravas daqui os captcha, não?)
De Ana Martins a 17 de Maio de 2009 às 13:45
Li com gosto as tuas palavras, a tua forma de estar - grande PAI :-)

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Arcebispo de Cantuaria Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 40 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47). Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever. jmoreiradesa@gmail.com

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Podia ser (mais) culto, ler e reler os clássicos da literatura, devorar ensaios, ler diariamente os jornais nacionais e alguns estrangeiros, assinar as revistas de referência mas diversas áreas do saber. Podia, e gostava, mas era preciso que estivessem reunidas duas condições, ter dinheiro para tal e acima de tudo, não ter filhos de tenras idades. Mas enquanto cada hora dedicada a ler a opinião dos cultos deste mundo sobre as suas (poucas) graças e (muitas) desgraças - do mundo e às vezes dos próprios - representar uma hora a menos de brincadeira, receio que vou continuar a optar por ser culto lá mais para o fim da vida, se lá chegar.






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