Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

As palmadas

 

Crucifiquem-me mas é a minha, nossa experiência de vida e é dela que se fala neste espaço. Sempre deles, quase sempre do ponto de vista deles, hoje do meu.
Palmadas. Acima da "festinha", longe do espancamento. Levaram os dois, em ocasiões chave, poucas, sobram os dedos de uma mão por cada um e na altura em que a capacidade de entendimento da punição era, meu julgamento, já perceptível, 3-4 anos, creio.
É violento. Fisicamente violento para eles. Psicologicamente violentíssimo para nós. Eles estão como se não tivesse sido nada passados dez minutos. A nossa alma fica a doer por muito mais tempo (nunca falam nisto os teóricos da violência infantil).
Nunca lhes disse mas sempre soube que lhes estava a dar as palmadas que os meus pais me deveriam ter dado naquela idade.
A verdade é que há mais de seguramente dois anos não há mais necessidade de palmadas, basta uma troca de olhares. E TROCA para que eu veja que nos seus olhos que não há medo, há entendimento, "sabes, não sabes?", "sei", sem palavras, sem palmadas, mas com regras. E com educação. Porque se não for agora não é nunca.
São violentas, sim. Mas evitá-las talvez seja muito mais violento.

 

publicado por joao moreira de sá às 04:58
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7 comentários:
De AnaD a 1 de Agosto de 2008 às 09:55
Crucificar??? ... só se forem os hipócritas ... muito se confunde a palmada com o espancamento, uma palmada no rabo bem dada e no momento certo faz toda a diferença, mas nãoooo agora é politicamente correcto dizer que nunca se tocou num cabelo dos filhos ... os filhos que estão no meio da rua deitado no chão a "birrar" e que se alguém diz alguma coisa ainda dizem aos berros "vai à m..." lindo, é a chamada educação moderna.

Não tenho filhos mas não sou cega nem vivo numa ilha isolada. Eu levei várias palmadas, e só uma me doeu na alma porque foi uma injustiça, as outras nunca contestei ... e ó pra mim aqui perfeitamente ajustada ...ok ajustada q.b. ... mas a culpa não foi das palmadas.
De A. a 1 de Agosto de 2008 às 18:50
Olha, eu tenho uma menina e posso dizer que, apesar de no geral ser bastante educada (principalmente com os outros, não é verdade?), quando se lembra de fazer birras "daquelas", não houve palmada que me ajudasse. Diria que nem deu por ela.

Ou eu é que não sei distinguir o momento crucial.
De joao moreira de sá a 1 de Agosto de 2008 às 20:39
A., precisariamos aqui de um Eduardo Sá (salvo seja! :) por "dessas" acho que temos todos e de facto, quando eles atingem aquele determinado ponto de irracionalidade, por vezes a raiar a loucura (sobretudo a nossa), a palmada penso que só agrava.
Nesses casos o motivo costuma ser tão banal como SONO, ciumes (menos desculpável), ou de todo irracional mas o estado emocional deles na BIRRA não é, de facto, o momento mais apropriado para apalmada - experiência cá da casa. Aqui nas birras funciona muito bem o "ignoranço". Dá cabo dos tímpanos porque quanto mais ignorados maior a birra, mas um CD a tocar cada vez mais alto, um ir embora, o ignorar a birra costuma resultar. Se a birra é "birra", passa, cansam.se :)
(nós também, mas eles podem massacrar-nos, nós não :-)
De mdsol a 2 de Agosto de 2008 às 15:40
:)))
Apetecia-me dizer tanta coisa que nem arranjo modos de as arrumar...

Eduardo Sá? Um exagerado pedante?

Pedagogo é o Arcebispo!

(sabe que, na história da humanidade, raramente os verdadeiros pedagogos, foram ...pedagogos de profissão...É da história... para mal da Pedagogia....)

:)
De tresgues a 14 de Novembro de 2008 às 09:24
Tanto pai por aí... Sem vir aqui!!!
De ana anselmo a 19 de Janeiro de 2009 às 14:44
isso é tudo muito bonito, mas como é que se mede uma palmada? não se pode escrever que é aceitável até 3 vezes e meia acima da festinha, e inaceitável acima disso - é impossível medir! e sendo impossível medir, a única opção é tornar inaceitável qualquer palmada - sendo palmadinha ou chapadão. isso não impossibilita a tarefa dos pais. como o próprio arcebispo admitiu, já não recorre a palmadas. se encontrou alternativas que funcionam bem para educar os seus filhos agora, não acha que provavelmente poderia ter encontrado alternativas para as situações anteriores?

quando me mudei para a suécia e me apercebi da lei que ilegaliza os castigos corporais (na altura não havia equivalente em portugal, mas agora já há! e ainda bem), indignei-me e tive de pensar no assunto um bocadinho. na altura, achava que uma palmada bem aplicada seria tão ou mais válida que outras práticas pedagógicas. lembro-me até de achar muito bem uma pediatra ter referido num programa português que uma palmada a um bébé que não percebe quando lhe explicamos que não pode mexer numa tomada, por exemplo, seria uma óptima solução pois bater na fralda não magoa a criança, só a assusta, e o bébé acabaria por associar pavloviamente a tomada ao susto. que parvoíce pegada! que direito temos nós a assustar uma criança dessa forma, com que direito é que aqueles que a devem amar e proteger a vão fazer sentir insegura em nome duma suposta lição? ouve-se demasiadas vezes "é para o bem deles", mas isso não é justificação aceitável. há sempre alternativa à chapadinha ou à palmada no rabo.

o número de crianças que vão parar aos hospitais portugueses todos os anos porque os pais "perderam as estribeiras", mas era para "os miúdos aprenderem" e no fundo era "só para o bem deles" é demasiado elevado para se poder encarar este assunto com a ligeireza com que me parece ter sido abordado nesta caixa de comentários. talvez não seja o sítio indicado para esta conversa, mas quis deixar aqui uma opinião um nadinha diferente dos concordantes acenos de cabeça dos comentários acima.

sôr arcebispo, vou sentir a sua falta nos meus feeds do 5dias :)
De o detective privado a 29 de Novembro de 2011 às 02:06
boa tarde mt thnx. agradou ver esse twit é enriquecedor. posso chamar-me visitante frequente cempor-cento neste blog. abrx

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Arcebispo de Cantuaria Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 40 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47). Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever. jmoreiradesa@gmail.com

.A razão porque este belogue existe

Podia ser (mais) culto, ler e reler os clássicos da literatura, devorar ensaios, ler diariamente os jornais nacionais e alguns estrangeiros, assinar as revistas de referência mas diversas áreas do saber. Podia, e gostava, mas era preciso que estivessem reunidas duas condições, ter dinheiro para tal e acima de tudo, não ter filhos de tenras idades. Mas enquanto cada hora dedicada a ler a opinião dos cultos deste mundo sobre as suas (poucas) graças e (muitas) desgraças - do mundo e às vezes dos próprios - representar uma hora a menos de brincadeira, receio que vou continuar a optar por ser culto lá mais para o fim da vida, se lá chegar.






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